domingo, 4 de janeiro de 2026

REFLEXÃO DIACONAL

 

ESPÍTULA DE  JUDAS, INIMIGOS INTERNOS

A epístola de Judas é breve, pouco explorada, mas profundamente necessária. Seu conteúdo atravessa gerações e se mostra atual, universal e aplicável a todos os níveis da vida da igreja e da organização eclesiástica.

 Judas escreve com urgência, não para condenar pessoas, mas para proteger o Corpo de Cristo e preservar a fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.

Quando Judas descreve certos comportamentos no meio da comunidade cristã, ele não fala de inimigos externos, mas de posturas internas que, quando não discernidas, comprometem a comunhão, a liderança e o testemunho da igreja. Por isso, sua mensagem alcança pastores, diáconos, líderes e todos aqueles que servem.

Como servos chamados ao cuidado do rebanho, precisamos ler Judas não com dedos apontados, mas com joelhos dobrados.

 O texto nos convida a um exame sincero do coração, do caráter e das motivações que sustentam o nosso serviço.

Judas alerta sobre líderes que se aproximam da mesa da comunhão, mas que perderam o senso de responsabilidade espiritual; pessoas que exercem influência, mas deixaram de nutrir vidas; que possuem forma, mas carecem de conteúdo; que ocupam posições, mas já não produzem frutos.

 Não se trata de títulos, mas de vida espiritual. Não é sobre função, mas sobre fidelidade.

O perigo apontado por Judas não está apenas no erro doutrinário explícito, mas na desconexão silenciosa entre o ministério e a intimidade com Deus. 

Quando o serviço passa a alimentar o ego, quando a rotina substitui a devoção, quando a aparência ocupa o lugar da essência, o ministério continua ativo, mas o coração começa a adoecer.

Para pastores e diáconos, essa palavra é uma compreensão contemporânea, um chamado à vigilância amorosa. 

Somos chamados a servir, não a nós mesmos, mas ao Senhor e ao Seu povo. A cuidar, não a usar. A edificar, não a impressionar. A conduzir com exemplo, não apenas com palavras.

Judas também nos lembra que atitudes não tratadas no secreto, cedo ou tarde, se tornam visíveis. O que não é levado à luz da graça acaba sendo exposto pela disciplina.

Por isso, a exortação bíblica não é para o afastamento, mas para o arrependimento, a restauração e o retorno ao primeiro amor.

Esta reflexão não tem o propósito de acusar, mas de alinhar. Não de ferir, mas de curar. Não de enfraquecer a liderança, mas de fortalecê-la à luz da verdade. 

A Igreja não precisa de líderes perfeitos, mas de líderes quebrantados, ensináveis e cheios do temor do Senhor.

Que a epístola de Judas nos conduza a conservar-nos no amor de Deus, a vigiar sobre nós mesmos e sobre o rebanho, e a servir com um coração puro, consciente de que o ministério é um privilégio santo e uma responsabilidade eterna.

“Conservai-vos no amor de Deus” (Judas 21)

Dc. Arão Coelho Salgado


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