sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO DIACONAL

 

O Deus da Arca da Aliança é o Mesmo Deus  da Igreja

Textos-base:
1 Samuel 3–6 | Cartas às Igrejas do Apocalipse (Ap 2–3)

"Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te." Apocalipse 3:19

Um Deus Que Reivindica  Zelo do Seu Povo ...

Deus não mudou. O Deus que se revelou junto à Arca da Aliança é o mesmo que anda no meio das Igrejas em Apocalipse. A aliança continua, o ZELO permanece e a responsabilidade espiritual também.

Em 1 Samuel 3–6, a Arca da Aliança representava a presença, a santidade e a autoridade de Deus. Israel acreditou que poderia defraudar o sagrado sem desonrar a santidade de Deus.  O resultado foi derrota, vergonha e juízo.

Em Apocalipse, Cristo se apresenta às igrejas como aquele que , avalia, corrige e disciplina. A igreja é agora o lugar visível da Sua presença, continua exigindo fidelidade.

Deus  Não Negocia  o Que é  Consagrado a Ele 

Deus não tolerou irreverência diante da Arca, nem tolera uma igreja que perde o temor e a prática do primeiro amor. A santidade  de Deus não se negocia,  e o serviço ao Senhor não admite práticas profanas.  

Os líderes são mais responsabilizados...

Os sacerdotes Hofni e Fineias foram julgados não apenas por seus pecados pessoais, mas por profanarem o serviço sagrado.  Da mesma forma, em Apocalipse, pastores e líderes são advertidos: omissão, tolerância ao erro e perda do primeiro amor têm consequências espirituais. O mais grave abre brechas para o mundo se Apropriar do Sagrado.
Os filisteus tomaram a Arca como troféu, mas descobriram que tocar no Sagrado atraem para si maldições e pragas.

Hoje, quando a igreja se molda ao mundo, transforma a em espetáculo ou conveniência, o resultado é enfermidade espiritual, perda de autoridade e dispersão do povo.

Má administração do sagrado gera:
Perda da glória
Enfraquecimento da liderança e da família
Escândalo público
Juízo disciplinar

Sacerdotes ontem, pastores, diáconos e líderes de hoje: Deus continua levando a sério quem toca ou Negocia Naquilo que é d’Ele. Os sacerdotes não podiam fazer  o que  queriam da Arca da Aliança, a mesma  disciplina vale para líderes espirituais que cuidam da Igreja da Nova Aliança. Somos  todos  mordomos  e não  donos. Nossa função é guardar, honrar, ensinar e viver aquilo que representamos.

Reflexão Diaconal para Hoje

O diácono é guardião da reverência, do serviço e do testemunho. Servir sem temor e zelo é ativismo. Servir com temor e zelo é ministério aprovado

“Deus não divide Sua glória, nem negocia Sua santidade: quem serve na Nova Aliança deve viver à altura da presença que carrega.” 

Dc Arão C Salgado

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

CHECK-UP DA ALMA

Mente Cauterizada: Perda de Sensibilidade da Consciência.

“Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias…” Romanos 14:5a.

Entendendo o texto...

Paulo nesse texto  não está discutindo calendário, datas ou rotinas religiosas. Ele está tratando de algo mais profundo: discernimento espiritual. O problema não é pensar diferente, mas pensar sem consciência, sem critério, sem convicção diante de Deus.

.Consciência cauterizada perde sensibilidade

Uma mente  começa a se cauterizar quando a consciência deixa de discernir. Já não pergunta: isso agrada a Deus?
Apenas repete hábitos, opiniões e comportamentos:
Confunde liberdade com indiferença espiritual

Quando Paulo diz: “cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente”, ele aponta para uma consciência ativa, sensível e responsávelnão cauterizada.

Necessidades de rever o meu  estado consciente 

Uma mente saudável revisa conceitos; uma mente calcificada resiste qualquer revisão e mudança. Não ouve mais correção.
Interpreta confronto como ataque. Prefere duplicidade à verdade. Muitas pessoas continuam na igreja, mas pararam de permitir que Deus transforme sua maneira de pensar.

 Rm 12:2 nos lembra que a vida cristã é transformacional, porque o mundo muda, os contextos mudam, e a precisa discernir o que é bom, agradável e perfeito.

Mudanças que transformam e edificam

Paulo ensina que maturidade espiritual produz opinião definida, não confusa.  Saber o que é certo e errado.
Discernir o que convém e o que não convém. 
Ter convicções dentro de um padrão bíblico, mesmo quando outros pensam diferente.
Mente saudável não é a que concorda com todos, mas a que se submete à verdade.

 Eu e o Outro

Romanos 14:5  mostra que uma mente calcificada afeta relacionamentos. Não percebe que fere. Não nota que escandaliza. Não avalia o impacto das próprias escolhas.

Uma consciência sadia pensa assim:
“Isso edifica ou enfraquece meu irmão?”

O maior perigo não é pensar diferente, é parar de discernir.

Check-up da Alma: Minha mente está sensível à voz de Deus ou já endurecida pela repetição, pela acomodação e pela falta de confronto com a verdade?

Arão e Elzi Salgado

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO DIACONAL

 

Vida Social do Pastor Ministério Integral:  Nem (-), Nem (+).

A Reflexão Diaconal levantará uma questão pouco enfrentada com honestidade na prática cristã: a vida social, financeira e familiar do pastor. Um tema bíblico e pertinente. Entre dois extremos perigosos (-) ou (+),  a Igreja - muitas vezes -  desconsidera o  equilíbrio.  

O que se vê na prática: pastores vivendo uma vida social  acima da realidade, desconectado  do seu rebanho,  e pastores  vivendo um estilo de vida social abaixo do que a Igreja pode oferecer.

Essa distorção é visível. Pode estar  ocorrendo  por conta da omissão do próprio pastor, da ignorância de conhecimento dos membros  ou da distorção da verdadeira mordomia cristã.

Os extremos ferem o princípio do equilíbrio e da responsabilidade coletiva.

A Escritura não normatiza a pobreza, nem legitima a ostentação. Ela aponta para honra, dignidade, contentamento e responsabilidade.

1. “Duplicada honra”: o que a Bíblia realmente ensina?
“Devem ser considerados merecedores de dupla honra os presbíteros (pastores)  que presidem bem, especialmente os que se afadigam na palavra e no ensino.” (1 Timóteo 5:17).
Quando a Bíblia diz:  “duplicada honra”,  envolvem aspectos inseparáveis: Honra moral; Respeito público;   Reconhecimento espiritual; Proteção da reputação ministerial. 
Honra materialSustento digno; Estabilidade financeira; Condições adequadas para viver e servir.

Paulo reforça um princípio universal: “O trabalhador é digno do seu salário.”  Portanto, honrar o pastor não é favor, é princípio bíblico e universal. Negligenciar isso não é sacrificar pelo Evangelho  — é injustiça espiritual e social  institucionalizada.

O silêncio pastoral sobre ensinar  mordomia cristã: uma omissão velada e  real.

Muitos pastores deixam de ensinar mordomia cristã não por falta de conhecimento, de  convicção bíblica, mas por medoMedo de parecer interesseiro; Medo de líderes maldosos; Medo de membros avarentos;  Medo de interpretações distorcidas

O resultado é grave:  Igrejas que não crescem em generosidade; Igrejas emocionalmente imaturas; Pastores que sofrem as consequências financeiras na sua família,    Ministérios fragilizados que não avançam. 
O silêncio sobre não ensinar mordomia não protege o pastor — adoece a igreja.

 Quando o pastor se torna gestor financeiro e administrativo 

A prática tem mostrado que, quando o pastor centraliza a gestão financeira e administrativa da Igreja, surgem riscos e tensões internas desnecessárias, desconforto por tratar da própria remuneração. Ausência de supervisão de conselhos e comissões técnicas contábeis,  fragiliza a transparência e a prestação de contas. 

Perigos desse tipo de práticaConstrangimento ético; 
Porta aberta para suspeitas;  Manipulação ou corrupção;
A Bíblia nunca propôs liderança sem prestação de contas, mas liderança que seguem múltiplos conselhos.

Princípio-chave: Nem (-), Nem (+)

O pastor  de uma Igreja local  não deve viver nem na escassez humilhante, nem na ostentação provocativa.
Deve viver no padrão do contentamento, sendo devidamente honrado pelo seu labor fiel e constante e consistente.

Indicamos Dez  Mandamentos da Boa Prática de Mordomia Pastoral Numa Igreja Local.

1. Ensinar mordomia é dever bíblico, não interesse pessoal. 
Quem ensina é a Palavra; o pastor apenas a ministrar.
2. A remuneração pastoral deve ser institucional, não pessoal.
Definida por conselhos, não pelo próprio pastor.
3. Honra pastoral não é luxo, é dignidade.
Sustento digno não é ostentação.
4. Transparência protege o pastor e a igreja.
Prestação de contas gera confiança e saúde espiritual.
5. O padrão do pastor é o bom senso, não a comparação.
Nem (-) por falsa espiritualidade, nem (+) por vaidade.
6. Igrejas saudáveis cuidam de seus pastores sem peso. 
Negligenciar esse papel revela imaturidade espiritual da comunidade.
7. Pastores não devem carregar culpa por ensinar princípios bíblicosA Palavra confronta; o pastor não deve se omitir.
8. Conselhos maduros evitam abusos e injustiças.
Pluralidade gera equilíbrio.
9. A família pastoral também deve ser honrada.
O ministério não justifica negligência familiar.
10. Onde há honra, há longevidade ministerial.
Pastores bem cuidados permanecem firmes, íntegros e frutíferos.

Reflexão Diaconal

A igreja de Jesus  precisa amadurecer para entender que:
. Desonrar o pastor empobrece o ministério.
. Ostentar empobrece o testemunho.
. Honrar com equilíbrio glorifica a Deus.
A vida pastoral saudável caminha entre dois trilhos: contentamento pessoal e honra institucional.

Nem (-) imposto por culpa espiritual.
Nem (+)  movida por vaidade carnal.
Mas dignidade, responsabilidade e fidelidade diante de Deus e da Igreja.

. . Em outro momento Reflexão Diaconal abordará:  Nem (-), Nem (+) para pastores de dupla ou mais  jornadas de trabalho. 

. Coloco-me a disposição do pastor e da Igreja para aprofundar sobre esse tema.
Dc Arão C Salgado
Pós Graduado em Liderança Cristã

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

CHECK-UP DA ALMA

 

Prática Cristã: Mais que Pagar Impostos.

Texto: Romanos 13:6–7

“Pagai a todos o que lhes é devido…” (Rm 13:7)

O apóstolo Paulo nos conduz a um exame profundo da prática 
cristã, mostrando que a fé verdadeira não se limita a contribuintes de impostos. Paulo fala 'pagai a todos' não está se referindo apenas a questões financeira.  

Regras Sociais e Espirituais

A nação de  Israel viveu sem a pressão de tributos enquanto Deus era reconhecido como Rei. Contudo, ao pedir um rei humano, conforme 1 Samuel 8, o povo aceitou regras mais duras, impostos e responsabilidades coletivas.

Por essa escolha do próprio povo, as regras se tornaram espirituais e sociais.  O temor a Deus não foi abolido e os encargos sociais passaram a ser compartilhados entre os cidadãos. Nada mudou nas instruções de Paulo aos cristãos romanos:  onde há ordem, há dever; onde há dever, há consciência.

A consciência cristã e Cidadã

Essa consciência  não é moldada pelo medo da punição, mas pelo temor do Senhor. Por isso, o cristão cumpre suas obrigações não apenas por exigência legal, mas por convicção espiritual.

Em Romanos 13:7, Paulo detalha essa responsabilidade em quatro ações distintas, revelando uma fé prática e equilibrada:

Tributo e imposto:  apontam para deveres objetivos e cotidianos: compromissos financeiros, sociais e institucionais que devem ser cumpridos com integridade, sem atrasos nem justificativas espirituais.

Temor:  no sentido que Paulo coloca não é medo servil, mas respeito consciente à autoridade e aos limites estabelecidos. Quem vive nesse temor tem as garantias da Lei.

Honra: A Bíblia valoriza muito a honra. A honra  vai além da obrigação legal; é uma atitude do coração que reconhece valor, trata com dignidade e preserva o testemunho, mesmo quando há discordância.

Necessidades e Mudanças  

O texto de Romanos  é claro: aquilo que é devido deve ser cumprido  no tempo certo. A negligência revela desorganização interior, rebeldia,  e compromete o testemunho cristão diante da sociedade.

O nosso papel como cristão  não é trazer confusão, divisão ou partidarismo. Esse check-up nos chama a colocar a nossa vida  em ordem, lembrando que nosso testemunho  afeta  toda uma comunidade dentro e fora da Igreja. 


Eu e o Outro

A nossa  fidelidade pessoal alcança o outro, fortalece a igreja, contribui para a sociedade e glorifica a Deus.
Dar a cada um o que é devido é um ato de fé que organiza a vida e preserva a consciência. Esse 'cada um', está perto de você.
Arão e Elzi Salgado


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO DIACONAL

 

Autoridade Divina Não Tem Gênero.

 “Pois Deus não faz acepção de pessoas.” (Atos 10:34)

Texto Base: Juízes 4–5 ( Episódio Bíblico: Débora e Baraque)

O Agir de Deus na História Humana 

A Bíblia ensina que Deus não estabelece Sua autoridade com base em gênero, posição social ou força humana. Em todos os tempos, o Senhor levanta líderes conforme o Seu propósito, não conforme os critérios humanos. O período dos Juízes foi marcado por instabilidade espiritual, opressão e  escassez de líderes.

 Nesse cenário, o Senhor levanta  uma mulher, Débora, profetisa e juíza em Israel, exercendo autoridade espiritual, civil e moral sobre a nação de Israel.

Baraque era comandante militar, preparado para a guerra, mas dependente da direção espiritual. Deus comunica Sua  Soberania  por meio de  uma mulher, Débora, estabelece a estratégia e ordena a batalha. A  liderança de Débora não foi um levante feminino, mas delegação divina.

Liderança Divina Segue Princípios e fidelidade.

O princípio não é movido por gênero, por fidelidade.  No  princípio, Deus confiou a Adão a responsabilidade da liderança espiritual, enquanto Eva participava  como adjutora do projeto e das decisões. 

A queda de princípio não ocorreu por excesso de participação da mulher Eva, mas pela omissão do homem  Adão diante do mandamento divino a ele imposto. Deus deu o mandamento a Adão antes de Eva ser criada. ( Gn 2:16-17)

Essa  mesma quebra de princípio se repete no homem Acabe (I Reis 21). Sua falha começou na sedução, ambição e omissão.  
Ao se omitir, permitiu que  sua mulher Jezabel, influenciada por valores pagãos, conduzisse  as decisões  espirituais da Corte  afastando o povo da presença de Deus.

Em Atos 5, Ananias e Safira ilustram a parceria  do homem  e da mulher sem temor a Deus.  Em comum acordo, mentiram ao Espírito Santo. Não houve liderança responsável nem submissão piedosa, mas cumplicidade no pecado.

Em contraste, Áquila e Priscila  (Atos 18) revelam o modelo bíblico equilibrado: unidade, parceria e serviço. Caminham juntos, ensinam juntos e servem ao Reino sem disputa de autoridade, pois ambos estão submissos a Cristo. 

Reflexão Diaconal para Hoje..

Aprendemos com esses episódios que Autoridade no Reino  de Deus procede do chamado divino, não prioriza gênero mas obediência. 

A omissão espiritual gera perda de honra e de responsabilidadeParceria  do homem e da mulher sem princípios divinos não prosperam; quando ela é submissa a Deus edifica. Deus usa  homens e mulheres sensíveis à Sua voz.

Fica claro que Autoridade Divina não tem gênero - sempre conduzida por:   propósito, obediência e responsabilidade. Onde homens e mulheres se colocam debaixo da vontade de Deus, há ordem, liderança saudável e avanço do Reino.
 Dc. Arão C Salgado

domingo, 8 de fevereiro de 2026

CHECK-UP DA ALMA

 

Crescer na Fé sem Comparar com o Outro

Romanos 14:5 – “Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente.”
 
À Luz do Texto de Rm 14:5

A comparação é uma das maiores ameaças da fé em crescimento. Passa uma mensagem de insegurança da própria identidade. A comparação  não nasce da falta de dons, mas da falta de convicção. Paulo ensina que a vida cristã saudável não se constrói olhando para o lado, mas olhando para Deus e para o chamado que Ele confiou a cada um.

Consciência Cristã

O primeiro passo do check-up da vida é a consciência espiritual. Preciso discernir se minha está sendo moldada pela convicção ou pela comparação.
Quando comparo minha caminhada com a do outro, deixo de assumir responsabilidade pela minha própria fé. A consciência cristã em crescimento entende que Deus trabalha em ritmos diferentes, com pessoas diferentes, sem cometer injustiça.
Fé saudável começa quando paro de medir minha espiritualidade pela régua do outro.

Necessidades - Desenvolver a fé

A maior necessidade do coração humano não é reconhecimento, mas segurança em Deus.
A comparação revela uma carência interior: a necessidade de validação. Quem está firmado no amor de Deus não precisa competir, porque já sabe quem é e a quem pertence.
Quando a fé é segura, a comparação perde força.

Mudanças Intencionais

A mudança prática e intencional  começa quando troco a pergunta: “Por que ele tem e eu não?
por “O que Deus espera de mim com o que já me deu?
Desenvolver uma fé de práticas de boas obras  é abandonar a ansiedade da comparação e assumir a responsabilidade da obediência diária. cresce quando foco em fidelidade, não em desempenho alheio.
Crescimento espiritual é alinhar expectativas humanas à vontade de Deus.

Eu e o Outro 

Na vida cristã, o outro não é referência de medida, mas de relacionamentoNão fomos chamados para competir, mas para edificar. Quando comparo, eu julgo; quando compreendo, eu sirvo. A fé madura honra o crescimento do outro sem diminuir o próprio caminho.

“A vida cristã  cresce quando vivo diante de Deus com convicção, e não diante dos outros com comparação.”

Arão e Elzi Salgado

sábado, 7 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO DIACONAL

 

Quando o Líder Perde a Visão

Texto Base Juízes 16 e 17

“Então ela lhe disse: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E ele despertou do seu sono e disse: Sairei ainda esta vez como dantes e me livrarei. Porque não sabia que o SENHOR já se tinha retirado dele.” (Juízes 16:18–20)

A perda da visão é um processo lento e imperceptível

A perda da visão espiritual nunca acontece de forma repentina. Ela é um processo silencioso, alimentado por concessões pequenas, repetidas e não confrontadas. Sansão não perdeu primeiro os olhos físicos; perdeu a visão da missão, o discernimento do chamado e a sensibilidade à presença de Deus.

 A queda de Sansão  não começou em Dalila, mas em decisões anteriores não corrigidas. Onde o líder relativiza o pecado, a visão começa a se apagar. A força permanece por um tempo, mas a comunhão não espera. A autoridade de líder permanece  precariamente, mas não conta  com a presença de Deus.  Esse é o maior risco para a liderança espiritual: continuar fazendo a obra sem o Senhor da obra.

O líder quando dominado por uma paixão

O líder espiritual não é vencido primeiro pelos ataques externos, mas por suas próprias paixões. Desejos não dominados — sexuais, financeiros, de fama ou de poder — tornam-se portas abertas para a ruína espiritual.
Quando o líder deixa de vigiar seus anseios, começa a negociar princípios e a justificar concessões. O pecado nunca se apresenta como destruição imediata, mas como tolerância progressiva. E toda paixão não dominada acaba dominando o líder.

Equívocos teológicos:  “sempre haverá outra chance”.

Um equívoco teológico  recorrente é transformar a graça de Deus em permissividade. Deus é, sim, o Deus das novas oportunidades, mas Deus nunca relativiza a santidade nem ignora as consequências do pecado. Não somos nós que escolhemos  “outra chance”,  é Deus quem, soberanamente, decide  a quem, como e quando fazer isso.

Sansão, repetidas vezes,  acreditou  que poderia “sair como antes”, ignorando  que a presença de Deus  já havia se retirado dele. A queda sempre é um divisor de águas — quase sempre negativo.

Alguns líderes até realizam grandes ministérios depois da queda, mas nunca mais do que antes, nem da mesma forma. Quando algo ocorre, é fruto exclusivo da misericórdia de Deus, e não do carisma, da experiência ou do histórico do líder. A queda não promove; ela limita, marca e redefine o alcance do ministério.

A graça restaura o pecador arrependido, mas não apaga automaticamente os efeitos da queda nem restitui, por direito, a mesma confiança, autoridade ou influência.

Reflexão Diaconal para hoje

A maior cegueira de um líder não é perder os olhos, mas perder a consciência da dependência de Deus. O chamado não libera o caráter, e a unção não substitui a obediência.
Não é a ausência de dons que derruba um líder, mas a ausência de temor. Quando a visão espiritual se perde, a missão se distorce e a queda uma questão de tempo

Dc. Arão C Salgado