O PROPÓSITO VAI ALÉM DO OFÍCIO
“Façam tudo para a glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31
ENTENDENDO A FORÇO DO PROPÓSITO
Trabalho é o desempenho de um ofício, atividade ou profissão; propósito é a finalidade, o fim para o qual direcionamos nossa vida. O ofício pode mudar ao longo dos anos, mas o propósito pode ser renovado e potencializado. Paulo, para complementar o seu sustento, em determinado período exerceu o ofício de fabricar tendas, mas sua vocação apostólica era o seu proposito: anunciar Cristo e edificar a Igreja. Ele não ensinou esse exemplo como regra a seguir; ao contrário, defendeu o direito de quem prega o evangelho viver do evangelho. Não é o ofício que define o propósito; é o propósito que direciona o ofício. O que fazemos pode mudar ao longo da vida, mas o propósito nos dá direção, significado e sentido.
1. PAULO TINHA UM OFÍCIO, MAS SEU PROPÓSITO ERA MINISTÉRIO
( Cf. Versículos: Atos 18:3; Atos 20:24)
Paulo trabalhou com Áquila e Priscila, que tinham o mesmo ofício, e exerceu temporariamente a fabricação de tendas. O texto bíblico mostra que esse trabalho fazia parte de uma circunstância específica de sua caminhada, não que ele tivesse abandonado seu chamado apostólico para se tornar fabricante de tendas. Sua grande prioridade continuava sendo cumprir a missão recebida do Senhor Jesus. Em Atos 20:34, ele lembra que suas próprias mãos supriram suas necessidades e as de seus companheiros. Entretanto, Paulo também ensinou que “ Da mesma forma, o Senhor ordenou que os que pregam o evangelho vivam do evangelho” (1Co 9:14). Não se trata de uma orientação de Pauo mas uma ordenança de Deus.
2. PAULO DEFENDEU O DIREITO DO OBREIRO VIVER DO EVANGELHO
Versículos: 1 Coríntios 9:13-14; 1 Timóteo 5:17-18
Paulo não transformou o trabalho secular em uma regra para ser seguida. Deve ocorrer em situações extremamente fora do controle do ministro. Exemplos: 1) Cabe ao pastor dministrar a sua própria casa; 2) Igrejas que não tem renda suficiente para o sustento integral do pastor; 3) testemunhar que o trabalho em qualquer situação é honroso e Deus abençoa quando exercido dignamente. Mas Paulo reconhece que aqueles que dedicam sua vida à proclamação do evangelho têm direito ao sustento por meio do próprio ministério. Em 1 Coríntios 9, ele apresenta esse princípio e, ao mesmo tempo, explica que abriu mão voluntariamente do sustento das Igrejas por razões pontuais. Sua decisão de trabalhar com as próprias mãos não significava que o ministério não deveria ser sustentado pela igreja. Era uma escolha estratégica para não criar obstáculos ao evangelho e para demonstrar independência em determinadas circunstâncias. Lição: trabalhar secularmente pode ser uma forma legítima de mordomia, mas não deve ser confundido com uma exigência bíblica para todo obreiro, uma alerta a negligência da própria missão da Igreja.
3. O PROPÓSITO VAI ALÉM DO OFÍCIO DE QUALQUER NATUREZA
( Cf. Versículos: Colossenses 3:23-24; Efésios 2:10)
Profissões mudam, cargos terminam, aposentadorias chegam e novas oportunidades surgem. Se nossa identidade estiver exclusivamente no ofício, poderemos perder o sentido quando aquela atividade terminar. Mas quem compreende seu propósito pode continuar frutificando mesmo quando muda sua profissão ou sua função. Paulo podia trabalhar com as mãos, viajar, evangelizar, ensinar, discipular e cuidar das igrejas sem perder de vista sua missão. Seu ofício era uma das ferramentas disponíveis; seu chamado era muito maior que sua atividade profissional. O ofício pode mudar, mas Deus pode continuar utilizando nossa vida para cumprir seu propósito.
APLICAÇÃO PARA HOJE
Precisamos aprender a distinguir ofício, trabalho, vocação e propósito.
O que eu faço? - meu ofício.
Como faço? - minha atitude, competência e excelência.
Por que faço? - minha motivação.
Para que faço? - meu propósito.
Para quem faço? - para Deus e para servir pessoas.
Na perspectiva da Mordomia da Vida – 4Ts, o trabalho não deve ser visto apenas como fonte de renda. Ele pode ser instrumento para desenvolver competências, sustentar responsabilidades, servir pessoas e cumprir propósitos. Ao mesmo tempo, devemos reconhecer biblicamente que o ministério cristão também é trabalho digno de sustento. Paulo não ensinou que o obreiro precisa ter uma profissão secular para ser fiel. Ele ensinou tanto o direito do obreiro de viver do evangelho quanto a liberdade de abrir mão desse direito quando julgasse necessário. Portanto, a pergunta não é simplesmente: “Qual é o meu ofício?” A pergunta mais profunda é: “Como posso usar aquilo que Deus colocou em minhas mãos para cumprir o propósito que Ele colocou em meu coração?”
O ofício pode ser temporário. O cargo pode terminar. A profissão pode mudar. A aposentadoria pode chegar. Mas uma vida orientada por propósito continua encontrando maneiras de servir, produzir e frutificar.
Oração de afirmação de propósito
Senhor Deus, ajuda-nos a compreender que nossa profissão, nosso cargo ou nosso ofício não definem completamente quem somos. Ensina-nos a reconhecer os dons, talentos, oportunidades e responsabilidades que colocaste em nossas mãos. Dá-nos sabedoria para trabalhar com excelência, honestidade e propósito. Que saibamos distinguir aquilo que fazemos da razão pela qual fazemos. Assim como Paulo, que possamos usar nossas habilidades, recursos e experiências para servir pessoas e glorificar o teu nome. Que nosso trabalho seja instrumento, e que nossa vida esteja sempre direcionada ao teu propósito. Em nome de Jesus. Amém
“O ofício pode ser temporário, mas o propósito de Deus pode encontrar novas formas de expressão em cada ciclo da vida.”
Dc Arão C Salgado






