TRANSIÇÃO DE UM SUCESSOR: SUA VEZ CHEGARÁ!
"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu." Eclesiastes 3:1
Introduzindo o tema...
A transição faz parte dos planos de Deus e em todos os segmentos corporativos. Em algum momento, todo líder precisará discernir quando chegou o tempo de assumir sua responsabilidade da transição. Ninguém é tão competente que esteja acima desse processo. Da mesma forma, ninguém é tão incapaz que não possa perceber, pela direção de Deus e pelas circunstâncias, que chegou a sua hora de ser o protagonista em assumir à frente desse importante processo sucessório.
Uma sucessão bem conduzida preserva a unidade, honra o passado e prepara o futuro. Já uma sucessão mal conduzida pode destruir anos de trabalho.
A Bíblia apresenta três grandes modelos de transição: um fracasso, um sucesso e um modelo de multiplicação.
I. Saul e Davi: quando o poder fala mais alto
"Então Saul se indignou muito... e, daquele dia em diante, Saul trazia Davi sob suspeita." 1 Sm 18:8-9
O rei Saul colheu as consequências de suas más escolhas ao perder o comando de sua sucessão. Mesmo assim, permaneceu dominado pela sede de poder, preferindo lutar contra a vontade de Deus em vez de se submeter a dura realizade a que se submeteu.
Refletindo quando o poder sobressai à responsabilidade da função:
. Quem ama mais o cargo do que a missão sofre na transição.
. O sucessor nunca deve ser visto como concorrente.
. A insegurança produz divisão.
. A falta de discipulado gera conflitos.
Resultado: colherá uma transição marcada por perseguição, medo e sofrimento.
II. Moisés e Josué: quando a missão é mais importante
" Então, chamou Moisés a Josué e lhe disse na presença de todo o Israel: Sê forte e corajoso, porque tu entarás com este povo na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu dar a seus pais....." Dt. 31:7-8
Refletindo: Moisés compreendeu sua missão de preparar uma transição passando por um processo de discipulado. Durante anos:
. caminhou com Josué;
. ensinou;
. delegou responsabilidades;
. confiou nele diante do povo.
. Moisés não preparou apenas um sucessor. Preparou um líder.
Resultado: unidade, confiança, continuidade e estabilidade.
III. Paulo e Timóteo: quando Líderes geram Sucessores Fiéis.
"O que de mim ouviste... transmite a homens fiéis que sejam idôneos para ensinar também a outros." 2 Tm 2:2
Paulo protagonizou o método da multiplicação:
. Não centralizou o ministério.
. Multiplicou líderes com qualidade ( Timóteo, Tito, Marcos...)
. A verdadeira sucessão acontece no percurso da jornada, não na véspera da despedida.
. Discipulado é preparar alguém para continuar a obra.
IV. Aplicação para a sucessão eclesiástica (Igrejas e Instituições)
Toda igreja ( ou Instituição) saudável precisa entender que a sucessão pastoral (ou de gestão) não representa apenas uma troca de liderança, continuidade de missão.
. Continuidade da missão do Ide de Jesus ( Mt.28): ensinar e fazer discípulos a todas as nações.
. Não se trata apenas de uma visão local, regional, global.
. Quando a igreja ora, busca a vontade de Deus e respeita os princípios bíblicos, Deus preserva sua sucessão.
a) Sete erros que tornam uma sucessão traumática
. Não preparar novos líderes, processo do discipulado.
. Personalizar o ministério (o Líder não deterá em suas mãos a missão, desenvolve a visão de enxergar longe)
. Enxergar sucessores como concorrentes de seu ministério.
. Criar partidos dentro da igreja ( Ex. Igreja de Corinto)
. Não comunicar com clareza o m omento de iniciar um processo de sucessão ( não se trata de uma formalidade de Estatutos, é uma questão espiritual)
. Ignorar princípios bíblicos. (caráter, família, governo, instruído na Palavra).
. Resistir ao tempo de Deus. ( as perdas serão irreparáveis).
b) Sete atitudes para uma sucessão saudável
. Orar constantemente. ( tempo específico antes do processo de sucessão deflagrar)
. Discipular intencionalmente e continuamente. ( O sucessor está em treinamento)
. Formar novas lideranças. ( Uma Igreja que cresce prepara novas lideranças com discipulado intencional).
. Delegar responsabilidades. ( Os disicipulado para desenvolver exige atividades práticas).
. Manter transparência. ( o processo de sucessão não é um faz de contas; nos bastidores o processo é outro).
. Preservar a unidade. ( Faz parte da maturidade)
. Confiar plenamente na soberania de Deus. ( Deus escolhe, O Espírito Santo separa, o processo alinha a unidade)
Refletindo: O que aprendemos nesses três processos exemplificados:
. Saul tentou preservar seu reino. ( Fracassou)
. Moisés preparou um sucessor. ( Entendeu o seu momento de sair de sena)
. Paulo multiplicou discípulos. ( Permaneceu multiplicando discipulos e avançando a Obra Missionária).
c) O líder em transição deixa de ser o protagonista para tornar-se um construtor de legado. Ao preparar e investir na próxima geração, ele assegura qua sua missão continue e que seus valores permaneçam vivos por meio das futuras gerações de líderes - para isso:
. É deixar pessoas preparadas para continuar a obra de Deus.
d) Jesus: o maior exemplo de transição
. Realizou a sucessão mais exemplar de uma liderança eficaz.
. Seu ministério começou e terminou exatamente no tempo determinado pelo Pai.
. Escolheu seus discípulos com critérios divinos e estratégicos.
. Investiu profundamente na formação deles, mesmo conhecendo suas limitações, fraquezas e futuros fracassos.
. responsabilidades antes de partir.
. Depois da ressurreição restaurou aqueles que haviam falhado, especialmente Pedro.
Antes de subir aos céus passou o bastão da Missão:
"Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações..." (Mateus 28:19-20)
. Também afirmou: "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros..." (João 15:16)
. E restaurando Pedro declarou: "Apascenta as minhas ovelhas." (João 21:17)
. Jesus não construiu o seu discipulado na depenência de sua presença física. ( Ex. envio dos 70)
. Formou discípulos capazes de multiplicar discípulos.
Esse continua sendo o padrão saudável para transição e sucessão de liderança. Aplicação para hoje...
. Todo líder é temporário ( faça acontecer)
. A missão é permanente ( caberá ao sucessor prosseguir)
. Chegará a sua vez ( seja o protagonista da transição)
. Deus chama líderes, prepara sucessores e continua conduzindo sua Igreja.
Que a nossa geração tenha a humildade de servir, a sabedoria de preparar novos líderes e a fé para confiar que o Senhor da Igreja continuará edificando sua obra.
"Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (Mateus 16:18)
Que Deus nos conceda a graça de viver a transição não como uma perda de posto, mas como a continuidade da Sua missão para a glória do Seu nome. Amém.
Dc Arão C Salgado
Pós Graduado em Liderança Cristã
PIB de Campo Grande MS

