sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O DISCIPULADO NO DNA PAULINO.


“... Quanto a você ( discípulo), 
porém, permaneça nas coisas que aprendeu 
e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu”
 (2 Tim. 3:14).   

Discipulado não é um tema a ser discutido mas uma ordem a ser cumprida.  Ordem expressa do Senhor da Igreja: “ Ide e Fazei Discípulos”. A questão para reflexão é: Qual o  D.N.A. seguro a ser adotado?  Visualizo dois modelos de discipulado Bíblico: O modelo Perfeito, vivido e ensinado por Jesus; e o modelo próximo do perfeito, vivido e ensinado pelo Apóstolo Paulo.
Nesses últimos três anos, vivendo a experiência de discipulado ( Modelo MDA ), já dá para se ter uma compreensão, sensata, que o padrão  vivido e ensinado por Jesus é extremamente desafiador.

Por quê? Porque o D.N.A. de Jesus é perfeito. Porque o Seu caráter, totalmente incensurável. O Seu ministério, frutificava cem por cento.  O segredo? Porque o seu poder, a sua autoridade, e senso de justiça, se confundiam com o  amor que sentia pelas pessoas.  Acrescido a isso,  a sua incondicional submissão, ao Pai, é algo imitável. Que desafio reproduzir um discipulado desse nível!

O Apóstolo Paulo se esforçou para viver e ensinar um discipulado Perfeito.  Foi muito transparente e ousado, ao declarar suas limitações e fraquezas: “ Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, .... quando quero fazer o bem, o mal está em mim..." (Rom. 7:15 ) Mesmo se sentindo em desvantagem em relação à Jesus, o Apóstolo não desceu o nível de discipulado. Apenas reconheceu a sua incapacidade de reproduzir um padrão perfeito vivido e ensinado por Jesus. Mesmo sendo realista em suas limitações, viveu e ensinou um  padrão elevado. Confesso que tenho dificuldade em reproduzir na minha vida esse  padrão. (Segue....)


Destacaremos Oito Quesitos de Discipulado no  D.N.A. de Paulo: 

“... pois embora vivamos como homens (natural), não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas”( 2 Co 10:3-4).

Ao passar recomendações as Igrejas que plantou, e dar  instruções aos pastores que discipulou, o apóstolo Paulo estava  construindo um D.N.A de discipulado, possível de ser aplicado em todas as igrejas, de todos os tempos. Igrejas  comprometidas com o Idem de Jesus.

1º-  Estar  Revestido de  Autoridade Espiritual   
“Não temos a pretensão de nos igualar ou de nos comparar  com alguns que se recomendam a si mesmos. Quando eles se medem e se comparam consigo mesmo, agem sem entendimento”
 (  2 Co 10:12)
Ninguém se torna uma autoridade espiritual. Trata-se de um ato soberano de Deus. Atividades religiosas, carisma,  nem mesmo o batismo,  não credenciam ninguém a ser revestido de autoridade espiritual. Em atos, cap. 8.9-24, está registrado a tentativa de um mágico, chamado Simão, que chegou a crer e foi batizado (Atos 8:13); no entanto, tentou subornar o apóstolo Pedro para receber o poder do Espírito Santo (Atos 8:19). Toda autoridade espiritual forjada resulta em um discipulado fracassado. Toda autoridade vinda de Deus suporta todo tipo de adversidade.  Autoridade e poder não são  armas de manipulação para assegurar vantagens pessoais. O rei Davi, revestido de autoridade e poder,  não se usurpou da lealdade de seus comandados ( 2 Samuel 23:15,16);  um belo exemplo a ser seguido.
O discipulado não é uma mentoria profissional para trabalhar determinada área da vida de uma pessoa. É um compartilhar interior, onde discipulador e discípulo, desenvolvem, reciprocamente, relacionamentos  que os tornem semelhantes a Cristo.

2º-  Requer uma vida de transparência e Autenticidade
“ Pois  nada podemos contra a verdade, mas somente em favor da verdade” ( 2 Co 13: 8)
    
Transparência é se deixar ver do lado de dentro. Fazer juízo baseado na aparência é um ato de insensatez. A autenticidade  é a imagem fotografada de dentro para fora. O apóstolo Paulo defendia a sua transparência e autenticidade quando escreve aos crentes em Corinto: “Saibam tais pessoas que aquilo que somos em cartas, quando estamos ausentes, seremos em atos, quando estivermos presentes”. ( 2 Co 10:11). Não esconde as suas fraquezas: “Se devo orgulhar-me que seja nas coisas que mostram a minha fraqueza. O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é bendito para sempre, sabe que não estou mentindo”( 2 Co 11.30).

Nenhum modelo de discipulado pode sobreviver se não houver transparência e autenticidade, no trato com a verdade sobre si mesmo.  Paulo se demonstra muito seletivo no compartilhar de sua vida. Ele não esconde isso: “Quanto aos que pareciam influentes -  o que eram então não faz  diferença  para mim; Deus não julga pela aparência – tais homens influentes não me acrescentaram nada” ( Gl. 2”6).
A transparência é a plena manifestação da verdade. Discipulado deve ser firmado na verdade: “...  Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu  próximo, pois todos somos membros de um só corpo”  (Efe. 4:25).
Seguramente esse é o quesito mais desafiador do discipulado: transparência, autenticidade e verdade,  custe o que custar.

3º-  Não ultrapassar as suas  limitações  e valorizar o trabalho  de outros.
 “... Nós, porém,  não nos gloriaremos além do limite adequado, mas limitaremos nosso orgulho à  esfera de ação que Deus nos confiou,  a        qual alcança vocês inclusive”  ( 2 Co 10:13)  
O apóstolo Paulo tinha consciência de suas limitações, sabia  até onde poderia chegar: “Da mesma forma, não vamos além de nossos limites, gloriando-nos de trabalhos que outros fizeram” ( v. 15.a). O discipulado não dá o direito de tomar posse da vida do outro. Ao contrário, o discipulado é abrir mão do seu orgulho pessoal, liberar o discípulo a crescer indo além onde você chegou. Reproduzindo o discipulado de João Batista: “Importa que Ele ( Jesus)  cresça e eu diminua”. Se é que podemos ter orgulho santo, que seja motivado por ter pregado o Evangelho de Cristo e ter gerado muitos discípulos, melhores do que nós.

4º-  O crescimento espiritual do discípulo gera relacionamentos  mais
        profundos e acelera o crescimento da Igreja.   
“Irmãos ( discípulos), devemos sempre dar graças a Deus por vocês; e isso é justo, porque a fé que vocês têm cresce cada vez mais, e muito aumenta o amor de todos vocês uns pelos outros” ( 2 Ts 1:3). 

A causa motivadora do discipulado está no crescimento do discípulo. Quanto maior for o crescimento do discípulo, maior será a profundidade do relacionamento com o discipulador. Paulo faz esse apelo: “Nossa esperança é que a medida que for crescendo a fé que vocês tem, nossa atuação entre vocês aumente ainda mais (v.15).
O crescimento é necessário, porque libera o discipulador a gerar outros discípulos. Paulo tinha o senso de responsabilidade de ganhar o mundo:  “ para que possamos pregar o evangelho  nas regiões que estão além de vocês...”(v.16). O discípulo que não se preocupa em crescer, está retardando a volta de Jesus. Porque deixa de ganhar outro discípulo,  aprisiona o discipulador a não avançar e suprir outras demandas.  Qualquer outro padrão, que retém  um discípulo pela vida toda, na visão de Paulo  não é uma boa estratégia de fazer discípulo. O discípulo que não cresce, Paulo chama de criança no entendimento. Nesse sentido, tornam-se crentes imaturos ou carnais ( 1 Co 3:1,2).  No nosso entendimento, quando se dá uma conversão genuína, em Cristo Jesus,  um  período de três anos é suficiente para deixar um discípulo pronto para gerar outros discípulos. Jesus, em três anos, preparou rudes pescadores, para apóstolos, que seriam os pilares da Sua Igreja. E foram!

5º-  O discipulado não é uma moeda de troca, trata-se de uma missão de
        Vida. 
“ Ao contrário de muitos, não negociamos a palavra de Deus  visando lucros...( 2 Co 2:17.a) ... Antes, renunciamos aos procedimentos secretos e vergonhosos; não usamos de engano, nem torcemos a palavra de Deus” ( 2 Co 4:2).

Quem não vive um chamado autêntico, verdadeiro, encontra razões e motivos para questionar essa posição de Paulo.  O apóstolo usou uma expressão enérgica: “Fiz de tudo para não ser pesado a vocês, e continuarei a agir assim.... e continuarei fazendo o que faço, a fim de não dar oportunidades aqueles que desejam encontrar ocasião de serem considerados iguais a nós nas coisas que se orgulham”( 2 Co 11: 9-11).

Não são poucos os missionários e pastores que sofreram e sofrem por esta falta de compromisso de muitos cristãos e igrejas. Para Paulo, o discipulado não dependia da resposta desta ou daquela igreja, deste ou daquele discípulo, tratava-se de uma ordem do Senhor da Igreja. O discipulado não é uma moeda de troca, mas uma missão de vida que envolve uma entrega da própria vida e dos bens. O discípulo não é apenas Quem vai há algum lugar;  mas  Quem vive, em todo tempo e em todo lugar.

6)- Firmeza  em suas convicções 
“... Admiro-me de que vocês estejam abandonado tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho”( Gl. 1:4).

Um discipulado Bíblico deve cuidar da saúde espiritual do discípulo. Há muitos crentes imaturos, pouco conhece a doutrina da salvação e da santificação. São pessoas bem intencionadas, mas vivem sem firmeza na fé, sem plena convicção do que creem. Como é importante o discipulado, que atue em defesa do evangelho, no combate dos falsos apóstolos e obreiros enganosos. Paulo já lutava com essas pessoas: “.... Pois tais homens são falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo-se apóstolos de Cristo Isto não é de se admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz”( 2 Co 11:13). Assim como um cego não pode guiar outro cego, um crente neófito não deve discipular outro crente neófito.

7º- Gera discípulo no mesmo D.N.A.
“... Irmãos (discípulos), sigam unidos o meu exemplo e observem os que vivem de acordo com o padrão que lhes apresentamos”( Fp. 3:17).

D.N.A.gera espécie com as mesmas características genética. Paulo estabeleceu o seu D.N.A de gerar discípulos. Paulo dependia das Igrejas para sustenta-lo na obra missionária. Entretanto, suas incursões  missionárias não dependiam das ofertas. Na falta, delas, buscava o seu próprio sustento. Na prática, estava gerando um padrão de excelência para os seus discípulos, ao ensinar: “Além disso, os filhos não devem juntar riquezas para os pais, mas os pais para os filhos” ( 2  Co 12:14.b). 

É um princípio importante que se aplica a pais biológicos e pais espirituais. O valor que Paulo dava, não era financeiro, mas sim, as vidas dos seus discípulos: “ Assim, de boa vontade, por amor de vocês (discípulos)  gastarei tudo o que tenho e também me desgastarei pessoalmente. Visto que os amo tanto, devo ser menos amado? Seja como for, não lhes tenho sido um peso...” ( 2 Co 12:15,16.a).

Gerar discípulos, no mesmo D.N.A, não significa que o discípulo precisa  ter os mesmos gostos do seu discipulador.  Anular  sua própria identidade e tomar a forma do outro. O padrão que Paulo está encorajando os seus discípulos,  é que vivam  o Evangelho na sua plenitude: “Finalmente, irmãos (discípulos), tudo o que for verdadeiro, tudo que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus de paz estará com vocês”( Fp. 4:8,9).
   
Paulo menciona a palavra “tudo”, por seis vezes. Um padrão de discipulado ideal, desafiador, mas possível em  atingi-lo. Paulo não ensinou nada daquilo que não viveu e alcançou.  

8º- Requer confrontação e correção em amor  ( 13.5-7)
“ Examinem-se para ver se vocês (discípulos) estão na fé; provem a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus esta em vocês? A não ser que tenham sido reprovados!” ( 2 Co 13:5). 

Muitos abandonam o caminho do discipulado porque não querem ser confrontados, nem se submeterem a correção. Alguns, até preferem abandonar a fé. Outros, dão muito trabalho, ao discipulador.  Porque não conseguem sair da zona de conforto, mas querem cobertura espiritual e querem amor. A correção é  necessária. Mesmo que  seja dolorido ao ponto de  desconectá-lo da convivência, por um tempo. Muitas vezes o remédio para curar uma  rebeldia declarada  é passar pela sensação de abandono. 
Paulo teve problemas com pessoas de sua equipe. O jovem Marcos, por exemplo. Paulo teve que aplicar uma dura correção, excluindo-o temporariamente de sua equipe, numa viagem missionária.
Discipulado onde não se aplica confrontação e correção em amor,  perdeu a sua excelência. Abre porta para divisão, desvio doutrinário, uma leva de crentes inconstantes e mimados.

REFLETINDO:


O assunto é por demais sério e desconfortante em opinar. Ao refletirmos sobre o discipulado, no DNA Paulino, não temos a pretensão de provocar discussões a respeito do tema, nem tão pouco sugerir um padrão de discipulado.
O que deve nos unir como discípulos em crescimento, que discipulado não deve ser encarado como método, mas um estilo de  vida, vivido e ensinado pelo Mestre Jesus. Não se trata de um padrão a ser discutido, mas uma ordem expressa a ser cumprida: “Ide e fazei discípulos a todas as Nações'.
Por ser um estilo de vida, onde o crente esteja, sua presença e seu testemunho de vida é uma inspiração para que outros o sigam. 

Quanto a mim, não vejo uma segunda opção: sou um discípulo discipulador. Preciso viver como tal! ! Onde meus pés pisarem preciso deixar a marca de Cristo! E você?!

Por amor a Cristo!

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