sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

HIPOCRISIA - É UM COMPORTAMENTO CULTURAL OU UM DESVIO DE CARÁTER?


“... Condutores cegos! Coais um mosquito e engolis um camelo” (Mt. 23:24).
“Hipócrita, tira primeira a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão” (Mt. 7:5).

O Senhor Jesus como um bom Judeu  nunca condenou a tradição Judaica. Ao contrário participou  ativamente das festividades do calendário Judaico.  A hipocrisia não estava nas celebrações judaicas, mais nas vidas dos celebrantes.  Hipocrisia era o que mais tirava o Senhor Jesus do sério.  Quando se deparava com os fariseus e doutores da Lei, a classe mais importante dos judeus na época, por três vezes chamou-os de “Hipócritas” e “Condutores cegos”. A primeira referencia, Mateus 15:14:  “Deixai-os: são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão a cova”. Nesta ocasião instruía os seus discípulos a não fazer nenhum tipo de confrontação com eles, nem imitá-los em suas condutas, porque eram hipócritas.
A segunda referencia Mateus 23:24 “Condutores cegos! Coais um mosquito e engolis um camelo”.  Desta vez o Senhor Jesus encara-os de frente desaprovando as suas condutas.  Esmeravam em manter uma irreparável aparência exterior, para atrair uma boa imagem de si mesmos, no entanto, abrigavam corações corruptos.
A terceira referencia Mateus 7: 5: “Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão” (Mt.. 7:5).

O Senhor Jesus condenou veementemente esses tipos de atitudes, hipócrita e  dissimuladoras. São posturas condenáveis, para quem exerce posições de liderança, em qualquer nível, seja ela na família, na empresa, nas atividades eclesiásticas, na politica.  O hipócrita é um eficiente dissimulador. É um especialista em, coar um mosquito e engolir um camelo, mesmo cego conduzir multidões, esconde a sua trave e aponta o cisco do outro.

A Hipocrisia está presente em todas  áreas de lideranças:

1.     Hipocrisia na liderança família
É no ambiente da família onde somos verdadeiros. Tiramos nossa roupa colocamos no cabide, tiramos nossas mascara e agimos como verdadeiros. Na família é que nós, maridos e esposas, coamos mosquitos, engolimos camelos.  Valorizamos coisas insignificantes e desprezamos o que realmente tem valor. Objetos da casa, o carro, por exemplo, passam a ter mais valores que os filhos.  Amaldiçoamos um filho porque quebrou algo ou porque riscou o carro. Cobramos boas notas do filho/a e não corrigimos o seu comportamento. Ou podemos valorizar pequenos ciscos, comportamentos normais de uma criança e não enxergarmos a trave que carregamos em nosso próprio comportamento. Agimos como condutores cegos espirituais, como fariseus queremos dar boas lições morais e espirituais na base do sermão, não praticamos o que pregamos.
Quaisquer atos desses praticados é uma forma de hipocrisia. Os filhos detestam Hipocrisia. Como pai compartilho o sermão de uma só frase que mais tocou a minha vida, foi essa: “lá vai o hipócrita para a Igreja”, proferidas por um filho adolescente que não suportava a minha hipocrisia. Sou diácono e líder em minha igreja. Chorei diante de Deus e de meu filho. Confessei o meu pecado, pedi perdão e iniciei mudanças em meu comportamento. Um pequeno cisco, hoje, pode se transformar numa enorme trave, amanhã. Uma cegueira espiritual não curada colocará em risco toda uma geração.  É no ambiente familiar o maior criadouro de hipocrisia.  A família sofre, a sociedade sofre.

2. Hipocrisia nas gestões  Privados e Públicos.
Não deveria haver diferença de atitudes de gestores privados e gestores públicos. O que está em análise não é a função em si, mas o caráter do gestor.  A integridade não está apenas em fazer as coisas certas, mas em como se comportar diante de coisas erradas.  Fazer as coisas certas, mas usar o tempo, telefone, material que não lhe pertence, para o próprio benefício é “coar um mosquito e engolir um camelo”.  Essa prática é muito comum no poder público.
Em toda esfera de liderança, os condutores cegos são o que não tem domínio naquilo que se propôs a fazer, está na função por apadrinhamento. Aqueles que se tornam especialistas em dissimular uma postura irrepreensível.  Mentem de uma forma tão convincente, e quando não conseguem, contratam um profissional para falar em seu lugar.  Temos assistido nas reportagens jornalísticas esse tipo de comportamento o tempo todo. Quanto mais importante e poderoso for o líder, mas profissional em dissimulação se torna.
O nosso país está vivendo um momento triste como nação. Por outro lado, está vivendo o seu melhor momento de acertos de contas. Os condutores cegos, suas máscaras estão caindo. Os “ciscos” estão deixando de ser holofotes de promoção politica aos maus gestores.  As “traves” estão se transformando em lenhas para uma grande fogueira aonde os maus gestores vão sofrer o fogo da justiça de Deus.
Felizmente, há um remanescente de gestores privados e públicos, homens e mulheres íntegros que temem a Deus.      

3.  Hipocrisia  na gestão Eclesiástica 
A hipocrisia é como uma moeda falsa em qualquer bolso não tem valor. Não importa que tipo de liderança exerça, se tiver uma postura hipócrita, dissimulada, a repulsa de Jesus é a mesma. Mas há uma agravante para os lideres espirituais. O peso da pena é maior. Ele se revestiu de uma autoridade dada por Deus para fazer exatamente o contrario  que Jesus condenou nos fariseus e doutores da lei.
O gestor espiritual não trata de mercantilismo. O gestor espiritual não trata de matéria. O seu trato é com valores eternos, espirituais.  O seu trato é com pessoas, indistintamente de classe e posição social. O seu maior bem são pessoas que Jesus deu a vida por elas.
A postura de um líder espiritual é diferenciada de qualquer outro líder. Os deveres dos lideres espirituais são para cuidarem do rebanho do Senhor. Vamos encontrar, em detalhes, a lista dessas qualificações em I Tm cap. 3. 

Lideres espirituais que tratam as pessoas da igreja com docilidade e romantismo, enquanto a esposa e os filhos com austeridade e grosserias, está coando mosquito e engolindo camelo.  Ministra bons sermões sobre família, no entanto os seus filhos o conhecem como pastor e não como pai. Apresenta-se com uma impecável aparência  exterior, mas vive uma vida subterrânea de lascívia e impureza de mente. São condutores cegos.
Lideres que enxergam os defeitos dos seus colegas de ministérios, não se juntam a eles. Acham-se superiores, não consegue enxergar a trave que está no seu próprio olho.

Aplicação:



Temas como esse confesso que reluto com o Espírito Santo para não escrever. É como se estivesse denunciando a mim mesmo. Vejo inserido em todas essas situações descritas. Como marido, pai, em funções executivas e em liderança na igreja. Não importa se numa escala bem pequena.  Não importa se consciente ou inconsciente, o fato é que reconheço que fui um deles. Mas enquanto escrevo, sinto-me como se estivesse escrevendo a minha própria carta de alforria. O Senhor Jesus me declarando: nada consta.  Pela misericórdia de Deus, com o incansável trabalho do Espirito Santo, posso enxergar a mim mesmo, posso ver a obra de  santificação, menos de mim  e mais de Cristo. A minha esposa, meus filhos e  meus netos  não vê mais duas pessoas, um dentro e outra fora de casa. Honrar a Deus, as pessoas, meus lideres espirituais,  fazem parte desse novo capítulo de minha  vida. 

Por amor a Cristo!