sábado, 7 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO DIACONAL

 

Quando o Líder Perde a Visão

Texto Base Juízes 16 e 17

“Então ela lhe disse: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E ele despertou do seu sono e disse: Sairei ainda esta vez como dantes e me livrarei. Porque não sabia que o SENHOR já se tinha retirado dele.” (Juízes 16:18–20)

A perda da visão é um processo lento e imperceptível

A perda da visão espiritual nunca acontece de forma repentina. Ela é um processo silencioso, alimentado por concessões pequenas, repetidas e não confrontadas. Sansão não perdeu primeiro os olhos físicos; perdeu a visão da missão, o discernimento do chamado e a sensibilidade à presença de Deus.

 A queda de Sansão  não começou em Dalila, mas em decisões anteriores não corrigidas. Onde o líder relativiza o pecado, a visão começa a se apagar. A força permanece por um tempo, mas a comunhão não espera. A autoridade de líder permanece  precariamente, mas não conta  com a presença de Deus.  Esse é o maior risco para a liderança espiritual: continuar fazendo a obra sem o Senhor da obra.

O líder quando dominado por uma paixão

O líder espiritual não é vencido primeiro pelos ataques externos, mas por suas próprias paixões. Desejos não dominados — sexuais, financeiros, de fama ou de poder — tornam-se portas abertas para a ruína espiritual.
Quando o líder deixa de vigiar seus anseios, começa a negociar princípios e a justificar concessões. O pecado nunca se apresenta como destruição imediata, mas como tolerância progressiva. E toda paixão não dominada acaba dominando o líder.

Equívocos teológicos:  “sempre haverá outra chance”.

Um equívoco teológico  recorrente é transformar a graça de Deus em permissividade. Deus é, sim, o Deus das novas oportunidades, mas Deus nunca relativiza a santidade nem ignora as consequências do pecado. Não somos nós que escolhemos  “outra chance”,  é Deus quem, soberanamente, decide  a quem, como e quando fazer isso.

Sansão, repetidas vezes,  acreditou  que poderia “sair como antes”, ignorando  que a presença de Deus  já havia se retirado dele. A queda sempre é um divisor de águas — quase sempre negativo.

Alguns líderes até realizam grandes ministérios depois da queda, mas nunca mais do que antes, nem da mesma forma. Quando algo ocorre, é fruto exclusivo da misericórdia de Deus, e não do carisma, da experiência ou do histórico do líder. A queda não promove; ela limita, marca e redefine o alcance do ministério.

A graça restaura o pecador arrependido, mas não apaga automaticamente os efeitos da queda nem restitui, por direito, a mesma confiança, autoridade ou influência.

Reflexão Diaconal para hoje

A maior cegueira de um líder não é perder os olhos, mas perder a consciência da dependência de Deus. O chamado não libera o caráter, e a unção não substitui a obediência.
Não é a ausência de dons que derruba um líder, mas a ausência de temor. Quando a visão espiritual se perde, a missão se distorce e a queda uma questão de tempo

Dc. Arão C Salgado

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