terça-feira, 25 de agosto de 2026

REFLEXÃO DIACONAL

 

Quando o Poder é  Maior que a Missão....

Não façais nada por partidarismo ou por vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.” Filipenses 2:3

A Igreja tem sua missão definida pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Ela não existe para conquistar poder, influência ou espaço político, mas para cumprir o propósito para o qual foi estabelecido pelo próprio Senhor Jesus Cristo.  Já está estabelecido: Há um só Senhor, uma só fé e um só propósito de anunciar o Evangelho. A autoridade da Igreja não nasce de posições políticas, cargos ou influência humana, mas do próprio Cristo, que é o Cabeça da Igreja. O tema "Quando o Poder é Maior que a Missão" pode parecer provocativo, mas merece uma reflexão profunda. A cada pleito eleitoral, observa-se o crescimento de lideranças cristãs disputando cargos públicos. É preciso refletir se  transmite a ideia de que a sobrevivência ou relevância da Igreja depende da conquista de espaços políticos. A Igreja não precisa negociar  sua missão pelo poder político: sua força está em Cristo, sua autoridade está na Palavra e sua missão é anunciar o Evangelho transformador.

A Igreja não é trampolim para sustentar Dinastia religiosa

Dinastia é um sistema no qual poder, influência ou posição são transmitidos dentro de uma mesma família ou grupo ao longo das gerações.  A família tem um lugar importante na Igreja e filhos podem, naturalmente, seguir o caminho ministerial de seus pais. O problema não está na presença de familiares servindo juntos, mas quando o sobrenome passa a funcionar como credencial de poderQuando posições, influência, estruturas e oportunidades começam a ser concentradas dentro de determinadas famílias, ou grupos. O chamado ministerial é divino, respeitável deve ser honrado. Entretanto, a manutenção deve ser reconhecido por caráter, vocação, competência e serviço. Jesus  chamou seus discípulos para servir. “Quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva". Mateus 20:26.  Liderança cristã não é patrimônio hereditário. É responsabilidade espiritual.

 Igreja não é um sistema sindicalista em defesa de causas próprias

O sindicalismo tem sua importância na sociedade porque organiza pessoas de uma determinada categoria para defender interesses comuns. Entretanto, a Igreja possui outra natureza e outra missão. A Igreja não existe para funcionar como uma corporação que protege interesses de seus próprios membros ou líderes. “Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem.” 1 Coríntios 10:24.  Quando a lógica do “nosso grupo” começa a prevalecer sobre o Reino de Deus, o corpo de Cristo corre o risco de assumir características corporativas. Isso pode aparecer de diferentes maneiras: proteção excessiva de determinados grupos, concentração de oportunidades, favorecimento de pessoas próximas, expansão de interesses particulares e utilização da influência religiosa para alcançar objetivos que ultrapassam a missão da Igreja. A Igreja deve proteger pessoas, mas não privilégios. Deve cuidar de seus líderes, mas não criar castas de liderança. Deve valorizar famílias, mas não transformar famílias em estruturas de poder.

 A Igreja perde poder quando a sua influência religiosa não distingue sua missão e limites.

Essa reflexão também alcança a relação entre religião, poder e política. Em cada pleito eleitoral chama atenção o número crescente de líderes religiosos que entram na disputa ou  lançam familiares próximos, para cargos eletivos. A participação de líderes cristãos e de  cristãos comuns na vida pública não é o problema. Todo cidadão possui o direito de participar da política e contribuir para a sociedade.  A questão começa quando a estrutura, a influência e a autoridade religiosa passam a ser utilizadas para construir projetos políticos familiares, criando uma espécie de dinastia  de poder e de influência. Não devemos confundir vocação pública com projeto dinástico. Também não devemos transformar a Igreja em uma espécie de sindicato político, no qual a comunidade religiosa existe para defender candidatos, famílias ou grupos específicos. A Igreja pode e deve  formar cidadãos conscientes, incentivar responsabilidade social e ensinar princípios de justiça, ética e cidadania. Porém, sua missão é maior do que qualquer partido, candidato, família ou projeto de poder.  Jesus  apontou a Missão: O meu reino não é deste mundo.” João 18:36.

Para Refletir:

. Estamos formando discípulos ou formando grupos de poder?

. Estamos preparando pessoas para servir ou criando estruturas para perpetuar influência?

. Estamos ensinando nossos filhos a servir a Cristo ou ensinando-os a ocupar espaços que consideramos pertencentes à nossa família?

A diferença é profunda: O Evangelho produz servos; o poder sem vigilância produz estruturas de domínio. A Igreja precisa recuperar a simplicidade de sua missão.

Oração: A Missão Que Importa

Senhor Deus, dá-nos sabedoria para discernir entre liderança e domínio, influência e poder, família e dinastia, proteção e corporativismo. Livra a Tua Igreja de interesses pessoais, familiares e partidários que possam comprometer sua missão.  Que nossos líderes sejam homens e mulheres de caráter, humildade e serviço. Que nossas famílias sejam instrumentos de bênção, e não estruturas de poder. Ensina-nos a colocar Cristo acima de nossos interesses, o Reino acima de nossos projetos e o serviço acima de nossa posição. Em nome de Jesus. Amém.

“A Igreja não foi chamada para construir dinastias nem sindicatos religiosos; foi chamada para formar discípulos e servir ao Reino de Deus.”

Blog Meditações
Uma reflexão para pensar, repensar e avaliar os caminhos da Igreja no nosso tempo.

Dc Arão C Salgado

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