ELEIÇÃO - COOPERANDO COM DEUS
“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões e ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade.” - 1 Timóteo 2:1-2
Deus já fez a Sua escolha....
Estamos a poucos horas do segundo turno das eleições para a escolha do futuro presidente da República (Brasil). Vivemos um período de intensa polarização, no qual opiniões políticas tem afetado relacionamentos, amizades e até a comunhão entre irmãos evangélicos.
Mesmo entre os evangélicos, não há unanimidade quanto às escolhas políticas. Cada cidadão tem o direito de decidir conforme sua consciência, seus valores e sua compreensão da realidade. Entretanto, precisamos lembrar que temos liberdade para fazer nossas escolhas, mas não temos liberdade para determinar as consequências delas.
Como cristãos, somos chamados a participar da vida em sociedade com responsabilidade, discernimento e temor a Deus. Nossa fé não nos isenta dos deveres de cidadania, mas deve orientar a maneira como exercemos esses deveres. Diante de uma disputa polarizada, surge uma pergunta importante: como cooperar com Deus sem transformar nossas convicções políticas em instrumentos de divisão do povo de Deus?
Vamos pensar juntos:
1. Não permitir que o partidarismo governe nosso coração
“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça.” - Mateus 6:33
A participação política faz parte da vida em sociedade, mas nenhum partido ou candidato deve ocupar o lugar que pertence a Deus em nosso coração. Podemos ter preferências diferentes sem perder o respeito uns pelos outros. O cristão deve avaliar propostas, histórias, atitudes e compromissos com responsabilidade, sem permitir que a paixão política substitua o discernimento espiritual. Cooperar com Deus é colocar nossas convicções sob a orientação dos princípios da Palavra, e não subordinar a Palavra às nossas preferências políticas.
2. Não nos associar às práticas que a Bíblia condena
“Abstende-vos de toda forma de mal.” - 1 Tessalonicenses 5:22
A defesa de uma causa não justifica o uso de mentiras, calúnias, manipulações, agressões ou acusações sem fundamento. Não devemos compartilhar informações sem verificar sua veracidade, nem justificar atitudes erradas apenas porque favorecem o candidato de nossa preferência. O compromisso cristão com a verdade, a justiça e a honestidade deve permanecer acima dos interesses partidários. Não podemos defender valores cristãos utilizando métodos contrários aos próprios valores que afirmamos defender.
3. Não construir barreiras de divisão entre o povo de Deus
“Para que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós.” - João 17:21
A Igreja de Cristo é formada por pessoas que podem ter diferentes opiniões sobre questões políticas, econômicas e sociais. Essas diferenças devem ficar no campo das ideias e não no relacional. Não devemos transformar irmãos em adversários, questionar a fé de alguém apenas por sua escolha eleitoral ou permitir que divergências políticas contaminem a comunhão da igreja. A unidade cristã não exige que todos pensem da mesma maneira sobre política, mas exige que todos sejam tratados com amor, respeito e dignidade. Nosso compromisso maior não é com a unidade de um partido, mas com a unidade do corpo de Cristo.
4. Interceder pelas autoridades e pela condução do pleito
“Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” - Mateus 6:10
A oração não deve ser apenas uma manifestação de preferência pessoal. Devemos pedir a Deus sabedoria para os eleitores, serenidade para a população, responsabilidade para os candidatos e autoridades e segurança para todos os envolvidos no processo eleitoral. Também devemos interceder para que a votação transcorra com tranquilidade, que os resultados sejam conduzidos e reconhecidos conforme as regras legais e que os governantes exerçam suas responsabilidades com justiça. Independentemente do resultado, nossa responsabilidade cristã continuará: orar, agir com integridade, respeitar as instituições e contribuir para o bem comum. Cooperar com Deus não significa afirmar que Ele aprova automaticamente todas as escolhas humanas. Significa reconhecer nossa dependência dele e procurar agir de acordo com sua vontade, antes, durante e depois das eleições.
Aplicação para hoje
Como evangélicos, pastores, líderes e membros da igreja, somos chamados a ser instrumentos de paz em tempos de tensão.
- Na escolha: exercer a cidadania com consciência, informação e responsabilidade.
- Nas conversas: ouvir com respeito, discordar sem ofender e não alimentar conflitos.
- Nas redes sociais: verificar os fatos antes de compartilhar e rejeitar a difamação.
- Na igreja: preservar a comunhão, acolher os irmãos e não transformar o púlpito em instrumento de disputa partidária.
- Depois do resultado: continuar orando pelas autoridades e trabalhando pelo bem da sociedade.
Não somos chamados a abandonar nossas convicções, mas a expressá-las de maneira coerente com o caráter de Cristo.
Oração por sabedoria e discernimento
Senhor Deus, concede-nos sabedoria para exercer nossa cidadania com responsabilidade e discernimento. Livra-nos do orgulho, do ódio, da mentira e de toda atitude que possa ferir a comunhão entre os irmãos. Dá serenidade aos eleitores, responsabilidade aos candidatos e sabedoria às autoridades que conduzem o processo eleitoral. Ajuda-nos a respeitar as diferenças, preservar a unidade da tua Igreja e cooperar com teus propósitos por meio de uma vida íntegra, justa e comprometida com a verdade. Que a nossa maior lealdade permaneça contigo e que nossas atitudes revelem o caráter de Jesus. Em nome de Jesus. Amém!
“A eleição revela nossas escolhas como cidadãos; nossa conduta revela os valores que governam nosso coração. Cooperar com Deus é exercer a cidadania sem negociar a fé, a verdade e a unidade do corpo de Cristo.”
Dc Arão C Salgado
Primeira Igreja Batista - Campo Grande, MS

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